Museu Histórico de Araxá - Dona Beja

Em 04 de setembro de 1965, o “Museu Regional Dona Beja” foi inaugurado pelo jornalista Assis Chateaubriand, o primeiro do país de uma série de Museus regionais criados por ele. Tornou-se um “presente para a cidade”, pois era o ano do centenário da emancipação política de Araxá. A revista “O Cruzeiro” e o jornal “O Estado de Minas” cobriram o evento.

A razão social do Museu era Associação Artística e Cultural do Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba, daí a justificativa do termo “Regional” de sua denominação inicial.

O Museu teve como primeira presidenta, a carioca e amiga pessoal de Chateaubriand, D. Yolanda Penteado, e a araxaense D. Silvéria Aguiar, como presidenta de honra.

A aquisição do imóvel só foi possível graças ao grande empenho do jornalista. A verba foi liberada pelo Banco do Brasil, através do diretor Sebastião Paes de Almeida, natural da cidade mineira de Estrela do Sul, onde Anna Jacintha de São José (Dona Beja) passou seus últimos anos de vida. O diretor atendeu prontamente ao pedido de Chateaubriand. A escolha do nome foi inspirada no Mito “Dona Beja”, pois ambos concordavam que o Mito já alcançava expressão em Araxá e região.

A empresa HIDROMINAS financiou a restauração do casarão, supervisionada pelo engenheiro Pedro Carlos Copati. Consta no seu acervo inicial telas de renomados artistas nacionais, móveis, objetos, imagens e documentos que retratam diferentes momentos da história de Araxá.

Após a morte de Chateaubriand, a Empresa Jornalística e a Prefeitura Municipal de Araxá firmaram um convênio, em 1973, mediante o qual, a então proprietária do imóvel o cedia, pelo prazo de cinco anos, à Prefeitura. No convênio ficou estabelecido que a Prefeitura deveria instalar no Museu a Divisão de Turismo, mantê-lo aberto ao público e se responsabilizar pela manutenção e preservação do prédio e do acervo.

Anos mais tarde, o Museu serviu como sede provisória da recém-criada Fundação Cultural Calmon Barreto nos seus primeiros meses de existência. Inúmeros eventos culturais e artísticos foram realizados em seu interior bem como a instalação, em dezembro de 1984, do Centro de Artesanato de Araxá, espaço destinado aos artistas e artesãos locais.

23 de maio de 1986. Através da Lei Municipal 2.041, o nome do Museu é alterado para “Museu Municipal Dona Beja”.

As equipes de técnicos da Secretaria Estadual de Cultura, através do IEPHA – Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico –, e da Superintendência de Museus foram responsáveis pela restauração do imóvel e do primeiro projeto museológico e museográfico realizados entre 1985 e 1987. Diante da inexistência de acervo pertencente à Dona Beja, optaram por fazer dele um Museu da história de Araxá, em cujo contexto se incluiu a figura de Dona Beja.

20 de fevereiro de 1987. Após a conclusão das obras, foi reinaugurado com recursos fornecidos pela comunidade, Prefeitura e empresa ARAFÉRTIL. O grande evento marcou ainda o lançamento do livro sobre a história de Araxá - “Vamos Conhecer Araxá”, da educadora Leonilda Montandon.

Julho de 1987 – Exposição para o público, pela primeira vez em Araxá, de quadros do artista plástico araxaense, Calmon Barreto. A mostra recebeu o título “Dona Beja recebe Calmon”. Esse evento, como inúmeros outros culturais, artísticos, musicais e políticos, ocorreu no salão térreo do Museu.

18 de outubro de 1990 - através do Decreto Municipal Nº 1.012, o Estatuto da Fundação Cultural Calmon Barreto foi totalmente alterado e, desde então, o Museu passa a ser administrado pela FCCB; pois anteriormente era gerido pela Secretaria Municipal de Educação e Cultura.

Em novembro do mesmo ano, por iniciativa da Fundação Cultural Calmon Barreto, foi lançada a “Campanha Pró-aquisição de Acervo para o Museu Dona Beja” durante o 2º Encontro Cultural de Araxá. O objetivo era sensibilizar toda a comunidade araxaense a manifestar seu apoio, doando obras de arte, móveis, objetos, fotografias ou documentos que pudessem valorizar o acervo já existente do Museu.

A função sócio-cultural do Museu passa a ser enaltecida ao servir como local de debates, reuniões, salões de artes, exposições, lançamentos de livros, mostras artísticas, feiras, recitais, recepções políticas, shows musicais etc.

28 de dezembro de 1990 - o prédio que abriga o Museu e o acervo foram tombados pela Lei Municipal N.° 2.410, com o intuito de preservar a memória histórica do município e também por ser um dos pontos turísticos de grande visitação.

27 de fevereiro de 1998. Através da Lei Municipal Nº 3.356, o Museu passa a ser denominado “Museu Histórico de Araxá – Dona Beja”. Em 06 de março do mesmo ano, o imóvel foi reestruturado, após convênio entre a Prefeitura Municipal de Araxá e o Ministério da Cultura. Foram executados reparos no telhado, na instalação elétrica e remodelação do pátio interno.

Julho de 1999. Concluídas as obras de restauração das telas do acervo do Museu, mediante o projeto “SOS Pinacoteca”. O projeto foi encaminhado ao Ministério da Cultura através da FCCB. A empresa executora foi “Oficina de Arte Aplicada”, com recursos da empresa CBMM.

09 de junho de 2001. Inauguração de uma nova Ala no salão térreo do Museu - “Lugar de Memória” - com lançamento do livro de mesmo nome. Cidadãos que fizeram parte da história de Araxá foram lembrados mediante biografias editadas no livro, fotografias e objetos expostos no novo espaço.

05 de julho de 2002. Abertura da segunda etapa do projeto “Lugar de Memória”, pois se ampliou o número de pessoas homenageadas. O segundo piso do casarão ganhou uma nova ambientação – o “Quarto de Beja”. O projeto desse novo espaço foi assinado pelo arquiteto Demilton Dib e proporcionou aos turistas uma leitura atrativa do século XIX. A restauração na parte elétrica e estrutural foi executada pela empresa ENCIL e patrocinada pelo SEBRAE, Prefeitura Municipal e MinC.

Em 2004 o Departamento Estadual de Estradas e Rodagens (DER) doou ao Museu um Busto de Assis Chateaubriand. A referida obra encontra-se exposta no pátio interno, ao lado da “Beja Cafeteria”. Este novo espaço foi inaugurado em 18 de maio de 2005, em comemoração ao “Dia Nacional dos Museus”.

18 de setembro de 2007. Inauguração da Exposição Permanente – Área Arqueológica – no segundo piso do Museu. Um projeto em parceria com a empresa BUNGE Fertilizantes.

Desde maio de 2009, o Museu Histórico de Araxá – Dona Beja endossa a proposta do Instituto Brasileiro de Museus, ao realizar a Semana Nacional dos Museus. Juntamente com os demais Museus da cidade, durante uma semana, acontece uma intensa programação cultural, oferecendo para a comunidade, apresentações musicais, exposições, palestras, debates, oficinas etc.

À época, Araxá aderiu à ação inédita da Secretaria Estadual de Cultura, por meio do IEPHA, que propunha o projeto “Jornada Mineira do Patrimônio Cultural”. Em 24 de setembro de 2009 o Museu ganhou a placa de identificação como “Patrimônio Tombado pelo Município”.

Em 2010, o imóvel recebeu pequenas intervenções: manutenção do telhado, das janelas e portais, da rede elétrica e da pintura.

Em 2012, o Ministério Público alertou sobre a precariedade do estado de conservação da edificação e dos eventuais danos e riscos ao patrimônio histórico e cultural.

Janeiro de 2013. Por iniciativa da Fundação Cultural Calmon Barreto, foi solicitado à empresa “Século 30 Arquitetura e Restauro”, um orçamento para elaboração de projeto geral de restauração do Museu. No entanto, a elaboração não prosseguiu.

Fevereiro de 2014. Problemas na instalação elétrica no interior do Museu causaram danos a uma cama do século XIX. Estragos maiores foram evitados.

Em abril do mesmo ano, a Fundação Cultural Calmon Barreto providenciou um projeto de conservação e manutenção de problemas pontuais em sua estrutura, exigidos pelo Ministério Público. Este projeto foi aprovado pelo COMPAC – Conselho Municipal de Patrimônio Cultural de Araxá. Para a realização destas intervenções o Museu foi fechado.

Entre 2014 e início de 2016, o Museu permaneceu fechado em meio a mudanças no cenário político do município.

2017. O imóvel, que permanece fechado, foi, finalmente, adquirido pelo município após acordo entre o S/A Estado de Minas (Jornal) e a Prefeitura Municipal de Araxá. Em setembro, graças ao apoio da CBMM - Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração, a Fundação Cultural Calmon Barreto adquiriu mobiliário no estilo imperial pertencentes à araxaense D. Silvéria Aguiar – primeira presidenta de honra do referido Museu. Este acervo fará parte da proposta Museológica e Museográfica do novo projeto de restauração que se encontra em fase final de elaboração, e posteriormente será encaminhado ao Ministério da Cultura – via Lei Rouanet – através de patrocínio da empresa CBMM.

 

Praça Cel. Adolpho, 98

Centro – CEP: 38.183-085

Fechado para restauração

 

Supervisora de Museus

Maria Angélica Torres Gotelip Barbosa (Tatá)

museus.tata@fundacaocalmonbarreto.mg.gov.br

tatagotelip@gmail.com