IGREJA DE SÃO SEBASTIÃO

IGREJA MATRIZ DE SÃO SEBASTIÃO

 

Histórico: A descoberta do sal mineral nas águas do Barreiro proporciona, no final do século XVIII, a chegada dos primeiros tropeiros em busca de alimento para o gado. Juntam-se a eles, outros moradores do Desemboque (hoje, Distrito de Sacramento) e pessoas vindas de outras localidades de Minas Gerais, que aqui se estabeleceram dando início à ocupação de Araxá.

José Pereira Bom Jardim e Bento Antônio da Boa Morte estão entre os primeiros habitantes. Como católicos praticantes, congregam outros elementos e fundam a Irmandade de São Sebastião. Bom Jardim torna-se provedor geral da Irmandade e inicia a construção da Igreja de São Sebastião. Bento Antônio é o escultor, autor das imagens que compõem o acervo da Igreja.

Após a conclusão das obras, os construtores levantam uma muralha de pedra em volta da Igreja, e no fundo, demarcam um cemitério com sólidos alicerces, utilizado até a 2a metade do século XIX. A originalidade do cemitério está na existência de dois grandes portões laterais: o da direita, reservado aos falecidos irmãos de São Sebastião e o da esquerda, aos irmãos de São Francisco.

A Igreja obedece ao estilo colonial, bastante simples, e com influência jesuítica, semelhante à todas as Igrejas latinas: o símbolo da cruz é representado numa nave central e duas laterais.

Na entrada principal da Igreja tem o túmulo de José Pereira Bom Jardim, seu construtor e provedor, conforme suas iniciais (JPBJ) e ano de falecimento (1849), gravadas e visíveis até hoje.

Durante a Revolução de 1842, ocasionada pela disputa do poder local entre os Partidos Conservador e Liberal, ocorre um confronto no Largo de São Sebastião resultando na morte de um soldado entrincheirado na torre da igreja. Esse episódio implica no fechamento temporário da igreja e na retirada da torre.

Na Igreja são exercidos todas as funções e atos religiosos, desde a sua construção, sobressaindo-se as festividades da Semana Santa e a tradicional Festa de São Sebastião, comemorada a 20 de janeiro, desde 1811.

Em 1938, é executada uma reforma na igreja com as seguintes modificações: colocação do forro (tipo paulista) na nave central e corredores laterais; aplicação de pedras, como revestimento, na fachada principal; aplicação de argamassa sobre esteios e madres, interna e externamente; substituição e inversão do sentido do tabuado corrido, bem como dos barrotes na nave central e corredores.

De 1938 em diante, a Igreja sobre outras reformas que visam preservá-la como templo católico e monumento histórico-arquitetônico.

Em 1979, é tombada pelo IEPHA — Instituto Estadual de Patrimônio Histórico e Artístico através do decreto do Governo do Estado Nº 19.908 de 22 de maio de 1979.

Em novembro de 1987, a Igreja de São Sebastião passa por uma restauração, sob a supervisão do IEPHA e é reinaugurada em 08 de agosto de 1990.

Através da Lei Nº 2.468 de 14 de novembro de 1991, o Museu Sacro da Igreja de São Sebastião foi criado com a finalidade de preservar a história religiosa e artístico-religiosa da cidade e do povo de Araxá e sua inauguração ocorreu em 19 de dezembro de 1991.

A Igreja de São Sebastião foi também tombada pelo município através da Lei Nº 3.130 de 18 de junho de 1996.

Diante do seu significado histórico, arquitetônico, religioso e cultural para Araxá, a Prefeitura Municipal, através da Fundação Cultural Calmon Barreto empenhou-se na sua preservação. Para isso, contou com o apoio financeiro do Banco Real S/A.

A reabertura da Igreja e do Museu Sacro da Igreja, após a restauração, aconteceu no dia 19 de dezembro de 1997, como presente da administração Ministro Olavo Drummond à cidade, pela data comemorativa dos seus 132 anos.

No segundo semestre de 2004, a Igreja e o Museu Sacro passaram por mais uma restauração: troca das telhas e recuperação das partes que necessitavam de reforma. Em 19 de janeiro de 2005, a Igreja foi reinaugurada e em 13 de março, o Museu Sacro. Em setembro de 2016, a Igreja de São Sebastião e o Museu Sacro foram fechados para aguardar obras de intervenção em sua estrutura.

 

 

Fonte: Arquivos da Fundação Cultural Calmon Barreto